Como investir – estratégia de investimento de Warren Buffett




Warren Buffett não gosta de surpresas. Embora acredite em lances de sorte, ele não conta com ela. Diz a lenda que Buffett chegou até mesmo a recusar fazer uma aposta de US$ 2 num jogo de golf porque tinha poucas chances de ganhar.

Assim, Warren desenvolveu uma estratégia de negócios orientada para resultados de longo prazo. É algo completamente diferente da estratégia do Cisne Negro. Buffett é focado, investe em poucos bons negócios e passa muito tempo analisando suas futuras compras. Ele não vai ao mercado de ações para jogar, ele vai ao mercado de ações para comprar uma empresa e receber sua parte do lucro. Como diz o livro “O Tao de Warren Buffett” (de David Clarke e Mary Buffett), ele compra uma empresa supondo que o mercado de ações vá fechar amanhã e permanecer assim por cinco anos. Mas será que isso funciona neste mundo incerto? Bom, Warren Buffett é, hoje, o homem mais rico do mundo.


A estratégia de Warren Buffett pode soar um pouco estranha a muita gente que negocia na bolsa de valores. Ele não foca em resultados extremamente vigorosos. 20% ao ano de retorno está bom para ele. Ele também não gosta de perder. Tudo bem, ninguém gosta, mas Warren Buffett joga para não perder. Ele gosta de companhias estáveis e previsíveis. Companhias com bons históricos de lucro e marcas fortes, aquelas que não sucumbem facilmente à concorrência.

Qual é o produto principal da empresa?

Buffett tem em seu portfólio o controle acionário de empresas como Coca-cola, GE e Washington Post, além de outras. São todas empresas de marca forte, impossível não se lembrar delas. E são todas empresas cujos produtos principais não precisam mudar muito. Há quanto tempo é fabricado o refrigerante Coca-cola? Há quanto tempo a GE produz lâmpadas? Há quanto tempo o Washington Post produz jornais? Quando foi que esses produtos mudaram radicalmente?

Portanto, temos aqui uma primeira lição de Warren Buffett: ele gosta de olhar para os produtos, ou o produto principal de uma empresa, e ver há quanto tempo a empresa produz o mesmo produto, sem mudanças? 15 anos? 20 anos? Ótimo, para Warren Buffett isso é um indicativo de que a empresa tem uma marca forte, de que não precisa mudar para enfrentar a concorrência. Em vez disso, é a concorrência que corre atrás dessa empresa.


Sendo assim, Buffett passa longe de ações de empresas fabricantes de automóveis ou de tecnologia, simplesmente por não poder prever como essas empresas estarão em 10 ou 15 anos. Em “O Tao de Warren Buffett” é citado o exemplo do Yahoo!, uma empresa que cresceu vertiginosamente no começo da Internet, mas que hoje está obfuscada por Google e outros, enquanto oferece retorno mais baixo e risco muito mais alto que títulos da dívida do tesouro americano. O drama da indústria automobilística é um pouco diferente: o produto principal é o automóvel, mas o problema é que cada nova versão, cada novo modelo, custa bilhões de dólares. Aí entra a aversão de Buffett ao azar: se algo der errado, a perda é de bilhões de dólares. Como isso costuma acontecer, companhias automobilísticas vivem em dificuldades.

Como a empresa é administrada

Assim, temos outra coisa que Buffett costuma analisar em suas empresas: se elas precisam investir muito capital para crescer. Buffett gosta de empresas que não precisam de grandes investimentos para crescer ou de nenhum. Empresas cujo faturamento vai direto para o caixa e os administradores não têm o que fazer com ele. Essas empresas vivem nadando em dinheiro e, se tiverem um bom histórico de administração, vão fazer recompras de ações e distribuir dividendos gordos aos acionistas frequentemente.

Quando comprar

Warren não compra nada que esteja na moda. Ele não compra nada caro. Ele gosta de uma boa pechincha. Assim, Buffett acompanha as empresas por um bom tempo e espera que algo dê errado para que as ações despenquem. Isso pode acontecer durante uma crise geral do mercado, como essa de agora, ou com uma empresa boa cuja administração tenha colocado em dificuldades devido a uma má decisão (caso da AIG, que Warren comprou agora, uma boa seguradora que assumiu riscos demais). Nesses momentos, o valor real da empresa a longo prazo pode não estar claro. E a empresa estará sendo vendida por muito menos do que vale.

Resumo

Basicamente, Warren Buffett analisa três fatores principais: o produto da empresa, como a empresa cresce e reparte seus lucros (excesso de caixa deve sempre ir para o acionista) e qual a situação do mercado mais apropriada para a compra.

Não é uma estratégia que te deixe livre de perdas, pois Buffett já perdeu dinheiro em vários negócios, embora pouco. Mas pode funcionar bem a longo prazo, com uma boa margem de segurança.

Exemplos

Existem vários exemplos desse tipo de empresa, vários citados no próprio livro “O Tao de Warren Buffett“, como a fabricante de chiclete Wrigley e a fabricante de refrigerantes Coca-cola, cujas ações estão sempre subindo.

No Brasil, também temos alguns, mas o mais apropriado para ser citado é o caso da Vale do Rio Doce, empresa cujo valor de mercado aumentou mais de dez vezes desde a privatização. Não é um retorno tão espetaculoso e tão rápido quanto aquele que poderia ser obtido no mercado de tecnologia, mas é muito mais previsível. A Vale se encaixa nos pontos acima (produto que não muda, sempre minério, baixo investimento de capital em relação ao retorno, devido às concessões, e histórico de boa distribuição de dividendos aos acionistas).

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